|
NIRVANA: Como os antigos povos compreendiam o mundo?
CLÁUDIA: Para os antigos o mundo era composto por uma realidade de sobrevivencia concreta de comer, defender-se dos animais e do clima e também por uma realidade espiritual, onde a Grande Mãe era a referência de proteçao e sabedoria. Assim, a Grande Mãe regia todos os acontecimentos da realidade concreta, provendo e ensiando através da natureza como conduzir a vida. O mundo era uma experiencia transcendente regida pela ligaçao do homem com o espiritual.
NIRVANA: Em que ponto a ótica observada pelos antigos diferencia da ótica pela qual observamos atualmente?
CLÁUDIA: A ótica do homem moderno é iniciada pelo processo de "saber" e "ter". Nos povos antigos o objetivo era "ser" em consonância com o Universo. Ser parte do todo que inclui respeitar e cuidar de tudo aquilo que a Grande Mãe criou para seus filhos, como por exemplo, cuidar da natureza, do clima, da terra, das montanhas e animais.
Preservar é um conceito recente e muito em moda, mas preservar muitas vezes não significa cuidar e sim, tentar resgatar o que sobrou da destruição. Para os povos antigos do planeta, nada era retirado da natureza sem necessidade, pois eles tinham a consciência de que isso poderia alterar o equilíbrio do todo e, sendo eles parte do todo, também sofreriam com o desequilíbrio.
NIRVANA: O que a sociedade em que vivemos pode fazer para reencontrar suas raízes?
CLÁUDIA: Uma das principais formas é se conectar e se voltar para a natureza. Honrá-la e buscar tempo para contemplá-la, explorá-la. Buscar um sentido para a existência que inclua uma prática espiritual de conexão. Exercitar o corpo em sintonia com a alma. Lembrar que todos fazemos parte de um todo, que nossas atitudes perante a vida influenciam em tudo ao nosso redor.
NIRVANA: De que forma as tradições xamânicas, praticadas por grupos agrários e indígenas, fazem parte desse processo de reencontro das raízes?
CLÁUDIA: O xamanismo é a primeira prática espiritualista de que se tem registro, pois ele é uma filosofia de integração com a natureza. No xamanismo trilhamos um caminho em direção ao Grande Espírito, que tanto pode estar relacionado à figura da Grande Mãe, ou associado à um Deus masculino. O que importa para o xamanismo é expressar a essência do seu Ser, respeitando o meio ambiente, tudo que tem vida, olhando com humildade e resposabilidade por seus aprendizados e desafios. Tem na conexão com o plano epsiritual sua principal força e sabedoria. Honrar a si mesmo como expressão corporificada do Grande Espírito.
NIRVANA: Como podemos resgatar a qualidade de vida através das culturas ancentrais?
CLÁUDIA: Podemos fazer um mergulho no conhecimento mantido pelos antigos povos através do conhecimento de suas práticas meditativas, de seus rituais, cânticos, danças e histórias. A qualidade de vida para eles está ligada à paz de espírito e à tranqulidade interna de estar cumprindo seu caminho em equilíbrio com a natureza. Algumas técnicas podem ser adaptadas e praticadas nos dias de hoje, promovendo esse contato espiritual. Muitas delas são o que chamamos de viagem xamânica, posturas corporais, cantos repetitivos para os 4 elementos, práticas com cristais e plantas, entre outras.
NIRVANA: O que o público pode esperar de sua palestra no Espaço Cultural Nirvana, como ela vai ser?
CLÁUDIA: A palestra no Espaço Cultural Nirvana, visa oferecer oportunidades de conhecimento dentro da área do xamanismo e das culturas ancestrais trazendo ao público uma possibilidade de entrar em contato com esse universo antigo, e também como proporcionar vivencias práticas para melhorar a qualidade de vida.
28/05 - quinta-feira
Resgatando a qualidade de vida através das culturas ancestrais
Claúdia Quadros
Horário: 15h
Investimento: R$ 78,00
|